Tartarugas Marinhas

O QUE AS FAZ TÃO ESPECIAIS

As tartarugas marinhas estão na terra há mais de 150 milhões de anos, tendo conseguido sobreviver desde o desaparecimento dos dinossauros até à presente data. Tiveram a sua origem na terra, tendo evoluído e se diferenciado de outros répteis durante a sua aventura para o mar.

Pertencem ao grupo dos répteis e como tal, possuem pele seca coberta por escamas, respiram por pulmões, reproduzem-se através da libertação de ovos e a sua temperatura corporal é regulada pela temperatura ambiental do local onde se encontram, por serem animais de sangue frio.

As tartarugas marinhas, estão bem adaptadas ao ambiente marinho e são excelentes nadadoras, tendo inclusive as suas patas evoluído com o tempo para barbatanas. Com excepção de certos períodos quando as fêmeas vêm a terra fazer a postura, as tartarugas permanecem toda a sua vida no mar. Os machos nunca chegam a sair da água.

As tartarugas marinhas possuem uma fantástica capacidade de orientação,

o que faz com que mesmo vivendo na imensidão do oceano, saibam o momento e o local da reunião para a reprodução.

Nessa altura realizam viagens transcontinentais, podendo percorrer cerca de 5.000 km em 2 a 3 meses de viagem para voltar às praias onde nascerem para desovar.

Durante vários anos, em intervalos de 2 a 5 anos, as fêmeas vem a terra 3 a 5 vezes durante a época de nidificação (finais de Outubro a princípios de Fevereiro) para fazerem a postura, libertando de cada vez cerca de 100 a 120 ovos brancos do tamanho de uma bola de ping-pong, chegando uma mesma tartaruga a libertar cerce de 500 ovos numa época de nidificação.

A incubação dos ovos é feita pela areia, onde depois de 50 a 60 dias imergem as crias. O nascimento ocorre durante a noite e as tartarugas dirigem-se rapidamente para o mar, atraídas pelo brilho do horizonte.

O sexo das crias é determinado pela temperatura da areia onde os ovos foram encubados. Temperaturas altas originam fêmeas e as baixas machos.

Uma vez no mar as pequenas crias poderão tornar-se presas para os tubarões, uma variedade de peixes e aves, especialmente gaivotas. Aquelas que sobrevivem são levadas pela corrente até ao alto mar onde permanecem à deriva durante vários anos, movendo-se mais tarde para as baías protegidas e estuários onde ficam até atingirem a maturidade.

A maturidade é atingida por volta dos 30 anos, variando de acordo com as espécies. Não se conhece com exactidão a longevidade das tartarugas, mas é geralmente assumida como sendo maior que os 80 anos.

Pensa-se que de cada mil tartarugas nascidas, apenas uma ou duas chegam à idade adulta.

A população de tartarugas tem vindo a diminuir em termos numéricos em várias partes da costa de Moçambique, devido à acção directa e indirecta do homem sobre as tartarugas e seu habitat.

Devido à redução das suas populações, todas as cinco espécies de tartarugas presentes no país, são consideradas em perigo de extinção e estão protegidas por lei.

Por serem espécies migratórias e se encontrarem ameaçadas mundialmente a protecção e utilização das tartarugas marinhas é regulada por leis e acordos internacionais, caso da Convenção Internacional para o Comércio de Espécies.

ESPÉCIES DE MOÇAMBIQUE

Existem Sete espécies de tartarugas marinhas no mundo, agrupadas em duas famílias as das Dermochelydae e a das Chelonidae. Destas, cinco encontram-se presentes no país, estando as populações das três primeiras essencialmente concentradas a Norte do rio Save, e as restantes duas a Sul do mesmo rio.

 

TARTARUGA VERDE (CHELONYA MYDAS)

Tem a carapaça castanha esverdeada ou acinzentada, medindo cerca de 1,20 m. Pesa em média 250 quilos, podendo atingir até 350. É a única tartaruga herbívora e alimenta-se de ervas e algas marinhas. O seu nome está associado ao facto da sua gordura corporal ser esverdeada. Sob a forma juvenil, pode ser vista desde o litoral da província de Gaza até ao litoral norte do país. Para nidificar prefere a península de Quewene e as ilhas do Arquipélago do Bazaruto em Inhambane, as ilhas Primeira e Segunda, no limite entre Zambézia e Nampula e o litoral das províncias de Nampula e Cabo Delgado.

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TARTARUGA DE PENTE (ERITMOCHYLES IMBRICATA)

Também chamada de verdadeira ou falcão, é considerada a mais bonita de todas as tartarugas marinhas. Tem a carapaça formada por escamas tom castanho e amarelo, sobrepostas umas às outras e o comprimento pode medir 1,0 metro e pesar 150 quilos. O bico lembra o formato do bico do falcão, daí a designação de tartaruga falcão. A designação de tartaruga de pente está associado ao facto desta espécie ser bastante caçada para o uso da sua carapaça na fabricação de pentes e armações de óculos. Por isso é uma das espécies mais ameaçadas de extinção. Possui invertebrados (caranguejo, lulas, etc); algas. Por vezes consome esponjas tóxicas, cujas toxinas de depositam na carne, podendo ser fatal para os indivíduos que consumirem a sua carne. Na forma semi adulta e adulta encontra-se desde o litoral norte da província de Inhambane até ao litoral norte do país, mas para desovar busca principalmente o litoral das províncias de Nampula e Cabo Delgado.

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TARTARUGA OLIVACEA (LEPIDOCHYLES OLIVACEA)

Também conhecida por tartaruga de Ridley, é a menor de todas as tartarugas, medindo cerca de 60 cm e pesando em torno de 65 quilos. A sua carapaça é de cor cinzento esverdeado, daí o seu nome. Alimenta-se de peixes, moluscos, crustáceos, principalmente camarão, e plantas aquáticas. A sua população é relativamente pequena em Moçambique e a sua ocorrência está centrada no litoral norte, Nampula e Cabo Delgado, onde se pensa que faz a sua nidificação.

TARTARUGA DE COURO (DERMOCHYLES COREACEA)

É a maior espécie de tartaruga marinha e também a mais forte. É chamada de tartaruga gigante, por medir até 2,0 metros de comprimento e pesar 700 quilos, embora já tenha sido encontrado um exemplar com 900 quilos. De cor preta, com pontos brancos, tem um casco menos rígido que as outras (falsa carapaça), parecendo quase um couro, daí o seu nome. Tem grandes barbatanas frontais, que lhe permitem nadar longas distâncias. Vive sempre no alto mar, aproximando-se do litoral apenas para a desova e alimenta-se essencialmente de alforrecas. Poucas fêmeas desovam em Moçambique, sendo as praias mais visitadas as mesmas que as da tartaruga cabeçuda.

TARTARUGA CABEÇUDA (CARETTA CARETTA)

Tem a cabeça proporcionalmente maior que a das outras espécies, chegando a medir 25 cm. É a que maior número de ninhos põem no litoral sul do país. Têm o dorso castanho amarelado e o ventre amarelado. O seu casco mede aproximadamente 1,0 metro e pesa 150 quilos, embora alguns exemplares cheguem a 250 quilos. Alimenta-se de peixes, camarão, moluscos, caranguejo, esponjas e algas. As suas mandíbulas poderosas permitem-lha triturar as conchas e carapaças de moluscos e crustáceos. Encontra-se em quase todo o litoral Sul. Para desovar procura preferencialmente as praias das ilhas do Bazaruto, península de quewene, Ilha da Inhaca e as praias a sul do Cabo de Santa Maria até a Ponta do Ouro.

AMEAÇAS:

  • Exploração pela população para obtenção de carne;

  • Captura acidental por arrastões e outros tipos de redes de pesca;

  • Erosão costeira e destruição dos seus habitates;

  • Desenvolvimento costeiro e ocupação das praias (turismo);

  • Poluição.

Os quais por sua vez estão associados a:

Aumento da procura dos produtos derivados das tartarugas marinhas, e existência de mercados propícios para a sua venda;

Aumento da frota de barcos de pesca industrial e artesanais, assim como a utilização de artes de pesca que põem em perigo a sobrevivência desta espécie (redes de emalhar, arrasto industrial sem a utilização do “TED” 9dispositivo de exclusão de tartarugas);

Modificação das praias através da remoção de areias para construção, implantação de hotéis e outras facilidades turísticas, circulação de carros ao longo da praia, excesso de luz, entre outros.

VOCÊ PODE AJUDAR A INVERTER A SITUAÇÃO?

SAIBA COMO:

1. Não comprando produtos feitos à base de tartaruga à venda nas lojas ou praias; desencoraje também os seus amigos e familiares a faze-lo;

2. Evitando perturbar as tartarugas se encontrar alguma na praia,

3. Evitando conduzir ao longo das praias, em especial nos locais de nidificação das tartarugas;

4. Colectando lixo, especialmente de plástico (sacos plásticos), que se encontrar na praia;

5. Participando na sensibilização da população e público em geral para a sua protecção;

6. Denunciando às autoridades competentes as práticas legais;

7. Ajudando na divulgação desta mensagem entre os seus amigos, colegas, familiares, outros;

8. Apoiando e participando em programas de monitoria dos locais de nidificação e alimentação das tartarugas marinhas.